terça-feira, 12 de outubro de 2021

SENHORA APARECIDA

Para socorrer pobres pescadores incumbidos de colocar na mesa dos nobres as melhores pescas em tempos de escassez, surge do fundo do rio uma santinha. Cabeça de uma vez e corpo de outra, chegam nas redes de pesca junto com os melhores pescados. É um milagre!

Feita por mãos humanas e descartada também por elas, foi encontrada para ser sinal de bençãos dos céus para os pobres. Era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição feita de terracota, já escurecida pelo tempo que ficou adormecida na lama do rio.

Inicialmente foi cultuada em uma simples casinhas onde recebia a fuligem das lamparinas, que acentuou ainda mais a sua negritude. E já por ali foi dando os primeiros sinais do seu amor através dos tantos milagres.

Imagino eu que a Virgem Maria, até então apresentada branquinha e de olhos azuis europeu, quis se fazer preta para se fazer uma com a grande maioria do povo brasileiro e se tornar mais próxima dos seus sofrimentos.


Hoje a Mãe pretinha ostenta roupas e coroa de rainha. Ganhou uma bela e majestosa casa que acolhe uma multidão de filhos. Foi reconhecida pelos seu povo como a Soberana Mãe de Deus e de todos nós. É a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil. 

Mas é certo que ela continua sendo a mesma Mãe que socorre a todos e se faz presente em cada coração que busca e sonha por dias melhores.


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

DIOCESE DE GUARABIRA


Pequenina no tamanho e grandiosa na história e na religiosidade de seu povo. Assim é a Diocese de Guarabira.

Já vários séculos que o povo de Deus reunido em seus templos históricos como também nas capelinhas inseridas nas mais longínquas comunidades, rezam e em comunhão vivem o evangelho.

Mas só em 11 de outubro de 1980 foi criada a Diocese de Guarabira pelo Papa João Paulo II e no dia 27 de dezembro de 1981 foi instalada, tendo como primeiro bispo Dom Marcelo Pinto Carvalheira.  

Na festa de quarenta anos da sua criação, aconteceu a Dedicação da Catedral de Nossa Senhora da Luz, pela unção e prece do seu bispo Dom Aldemiro Sena. Na ocasião foram depositadas no altar da Igreja Mãe da Diocese, as relíquias de Santa Dulce dos Pobres e de São Vicente de Paulo, santos conhecidos pelo fazer da caridade.

Como naquele dia rezava Dom Aldemiro, rezemos novamente hoje “Que aqui os pobres encontrem misericórdia, os oprimidos alcancem a verdadeira liberdade e todos sintam a dignidade de ser vossos filhos e filhas, até que, exultantes, cheguem à Jerusalém celeste”. (Trecho da prece de Dedicação)

Que a Virgem da Luz sua padroeira, derrame muitas bençãos na querida Diocese para que continue sendo sinal da  presença de Deus nessa porção do brejo paraibano. 

Que o apóstolo da caridade, o Padre Ibiapina, partindo desta diocese, chegue aos altares da Igreja Universal e inspire todos com o seu testemunho a viver cada vez mais o amor e o serviço.

domingo, 10 de outubro de 2021

A VIDA NÃO PARA


A vida vai nos levando por caminhos que nunca imaginávamos seguir… e ele vai numa velocidade impressionante… O que antes era presente… rapidinho já é saudade.

A rapidez é tanta que muitas vezes nem dá tempo saborear os frutos prestes a amadurecer… e nem de sentir o perfume das flores ainda em botão, disponíveis pelas estradas da vida…

E o novo vai surgindo… e tão logo vai forçando a deixar pra trás e a atropelar as oportunidades de nos encontrar… de nos deliciar… de nos envolver… e de nos encantar com o essencial que dá sentido à nossa existência.

Em algum momento da caminhada, necessário se faz parar e observar os sinais de alerta que a vida nos oferece… olhar pelo retrovisor e se preciso for, retroceder… dar passos atrás pra enxergar melhor a estrada  percorrida… e recolher o que de bom e bonito por lá ficou. 

Seguir adiante é preciso porque a vida não para. Mas é preciso andar devagar… pra dá tempo sentir o sabor das frutas amaduradas e o perfume das flores desabrochadas… absorver com a alma a beleza singela da aurora e o brilho melancólico e poético do entardecer… e acolher no coração as boas memórias e lindas lembranças para compor a leve e suave bagagem da vida.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

O POBREZINHO DE ASSIS

Em um tempo em que o cristianismo estava sendo desvirtuado e muitos se confundindo com o poder e o ter, um jovem, nascido em Assis, na Itália, vindo de uma família de posses, indignado com a desigualdade social e com a secularização da Igreja, decidiu assumir a radicalidade do evangelho.

Por opção Francisco se fez pobre com os pobres e escolheu amar e servir e como eles viver. Entendeu que a perfeita alegria é ser o último com os últimos. Ouvindo o apelo do Mestre, seguiu se fazendo amor e serviço, não só para seus semelhantes, mas para com todas as criaturas da natureza. Se fez parte integrante de um grande projeto do Criador onde tudo está interligado harmonicamente em uma ecologia integral.

Primeireou sendo instrumento e canal para levar a paz e o amor, o perdão e a união, a fé e a verdade, a esperança e a alegria… levar a Luz sobretudo onde existiam maiores necessidades e sofrimentos… nas periferias físicas e existenciais.

Seu exemplo de vida atraiu a muitos ao redor do mundo… que como ele, encontraram o ideal na vida doada… entendendo que o bem maior é consolar, amar, compreender, dar, perdoar e até morrer se preciso for em vista do Reino que já começa aqui. 

E o Jorge Mario Bergoglio entendeu e decidiu assumir e atualizar Francisco em seu pontificado. Ele tem mostrado incansavelmente que é na comunhão que se faz um caminho sinodal tão necessário para salvar a humanidade e o planeta.

Que São Francisco continue inspirando o Papa Francisco e a todos os Franciscos(as) do mundo, apresentando a todos o verdadeiro sentido do evangelho.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

IMPORTAR-SE

 

Importar-se é demonstração de bem querer… é delicadeza…

Importar-se é cuidado… é afeto… é mimo… é atitude.

Hoje as redes sociais estão enfeitadas de “eu te amo” enquanto tantas relações reais estão enfeiadas… desgastadas… infelizes…

Satisfazer sonhos… desejos e até necessidades do outro na cultura do egocentrismo, a opção pelo “eu” é clara. As relações cada vez mais líquidas…  escorrem… evaporam… 

Talvez por isso que importar-se  causa tanto espanto… medo… incômodo... 

A gratuidade… a gentileza… o cuidado… a preocupação, parecem fora de moda. 

Mas para quem acredita que o bem é essencial, vai… mesmo na contramão… Não se importando com os ventos opostos, segue teimando… resistindo e insistindo em propagar… em espalhar… e alastrar pelo mundo o que faz bem, é bonito e ilumina a vida.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

SOLIDARIEDADE FRATERNA

Eu creio que todos temos plantada no coração a semente do bem. Fomos criados para o amor e por amor fomos sonhados.

O amor nos é apresentado por diversos ângulos… e um dos mais bonitos é a solidariedade. É ela que nos leva a ser fraterno… a ser irmão.

Amar o semelhante independente de raça,  proximidade, gênero, condição social… é de uma beleza sem igual…

Sentir a necessidade de tocar as chagas do outro com cuidado e de embalar seus sonhos com ternura… é a expressão do Divino em nós.

As periferias existem e é pra lá que devemos ir. É lá que estão os mais frágeis… os pobres… os vulneráveis… os doentes…  Precisamos ir pra ver, chegar perto, tocar com carinho, sentir sua dor, nos enternecer e cuidar… cuidar para que sarem e não só sobrevivam, mas vivam bem e para o bem.

É o amor universal que nos interpela a todo instante a fazer o bem… nos instiga com frequência a ser instrumento e artífice da paz… nos capacita e nos condiciona sempre a construir um mundo bom e bonito para todos… 

É Ele que nos convida a abrir o coração e as mãos   para simplesmente amar. 

Escutemos-o!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

OS SANTOS GÊMEOS

 

Conta a tradição que os santos gêmeos mais festejados do mundo surgiram na Ásia, eram médicos, caridosos e cristão. A fé os levou ao martírio e a veneração popular.

As suas representatividades nas religiões que nos foram trazida da África são os Ibejis. Eles representam a alegria, o puro, o belo, o doce… a poesia, a inocência e ingenuidade das crianças.

O Brasil que escravizou africanos, ganhou e absorveu em sua cultura, seus costumes e sua religiosidade. Seu povo herdou a resistência, o espírito criativo e alegre,  mesmo em meio a dor e opressão. 

O sincretismo religioso é fruto da resistência e da criatividade das senzalas.

Proibidos de cultuar as suas crenças, utilizavam inteligentemente as festas de santos dos seus donos, pra festejar com atabaques, tambores e muito samba de terreiro, os santos em que acreditavam.

E a resistência continua… 

Hoje Cosme e Damião é festejado com cânticos, danças, carurus e doces. É a festa das crianças, dos Erês… que representam o nascimento… a perpetuação da vida… a garantia da continuidade da descendência.

Viva São Cosme e São Damião!!!

Onipé Ibéjì!!!

O POETA ENCANTADO


Vander Lee… Cantor e compositor mineiro, falecido em 2016 aos cinquenta anos, deixou para a humanidade a musicalidade poética do seu canto. 
Uma belezura!!!

Confesso que eu já ouvia Vander Lee antes do seu encantamento, sobretudo os clássicos mais conhecidos. “Onde Deus possa me ouvir”, “Esperando aviões”, “Românticos”…  já faziam parte da trilha sonora de minha vida.

Impactada com sua ida, fui mergulhando no seu legado e a cada canção fui sendo tomada de admiração e deslumbramento. A suavidade poética, harmoniosa melodia e a leveza na voz, conseguiu me penetrar, me envolver… me encantar…

Cantando o amor e dor, a alegria e os medos, a felicidade e as angústias, tão lindamente, ele consegue ser bálsamo que sara e vinho que inebria.

Sua canção é reza… é louvor… é poesia… é magia… é luz… e já brilha na voz de muitas estrelas.


Vander Lee pode ser encontrado nas plataformas musicais… 

Veja aqui um dos caminhos: https://youtube.com/user/vanderleeoficial

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

RAZÕES DO CORAÇÃO

Dizem que coração é terra que ninguém anda… e é verdade.

O coração desde sempre tem dado abrigo as nossas emoções, sentimentos e lembranças.

Pensadores antigos já diziam que o coração é a sede das emoções porque é quente e se move, enquanto o cérebro é a sede da razão porque é frio e imóvel. Com isso somos tentados a nos colocar entre a emoção e a razão, muitas vezes esquecendo que as nossas emoções são indispensáveis para a nossa vida racional. São as emoções que nos fazem únicos e é o nosso comportamento emocional que nos diferencia uns dos outros. Do contrário, seríamos frios e calculistas.

O medo de ser quem somos em alguns momentos nos leva a esconder sentimentos e emoções por trás de atitudes as vezes rudes, deselegantes, indelicadas… o que causa sofrimentos a nós mesmos e ao outro.

Se vive o conflito entre o que você quer e o que você deveria ser e fazer. Aí somos levados a pensar que agir com a razão é o politicamente correto, enquanto que agir com o coração… demonstra fragilidades.

Sei que o nosso coração é um relicário… um baú de tesouros onde trancamos o que existe de mais íntimo em nós… Mas como aquele principezinho que dizia que só se vê bem com o coração… e que o essencial é invisível aos olhos, sigo tentando tocar com o meu coração o coração do outro, na esperança de enxergar nele a sua essência.

Corações precisam tocar corações… com empatia e cuidado… amorosidade e delicadeza… dedicação e respeito…. Quem sabe assim permitamos que as faíscas do Divino tragam mais luz pra humanidade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O VERDADEIRO SENTIDO DO SERVIR

 

É comum observar mudanças de comportamento em pessoas que se acercam do algum poder, muito embora, por ofício todos temos o dever de ser servidor. 

Para muitos a ambição é uma virtude e o autoritarismo uma qualidade. As benesses e os privilégios são sonhados por quem quer ser o maior… por quem briga pelos primeiros lugares… pelos melhores espaços…

Quem quiser ser o maior, seja o menor, o servidor, o que cuida…

Ter o privilégio de poder servir e reconhecer isso como dádiva é para poucos.

Infelizmente o ego inflado gera muitas decepções… descréditos… gera muito sofrimento em quem botou fé… 

É preciso todos os dias exercitar a humildade… o desapego… o despojamento… É necessário varrer do coração sentimentos de grandeza, de superioridade, de ganância… de arrogância… 

Só assim se poderá exercer, viver e se alegrar com o verdadeiro sentido do servir, do acudir, do cuidar, do amparar, do socorrer, do proteger, sobretudo os pequenos que estão aos montes pelo caminhos.

DOCE ESTRELA


Como uma estrela, ela emitia luz e beleza.
Desde pequena carregou o peso no corpo, mas muita leveza na alma. 
Impactava e encantava o seu jeito amável de ser. 

Ela enxergava beleza em tudo… via no feio um motivo para embeleza-lo, no triste um mote pra alegra-lo e no sombrio um raio de luz para fazê-lo brilhar.

Artista nata, adorava brincar com pincel, tinta e textura e tinha o maior prazer em contemplar a sua arte.  O papel, o tecido, o barro, a madeira e tudo quanto ela cismasse tocar se transformava em lindeza.

Amante da música, alegrava seus espaços com sons maravilhosos. Rodopiando pela sala, suave como uma pluma seguia flutuando como costumava fazer nos bailes da vida.

Ela emanava luz a todo que dela se aproximasse e por ela fosse atraído. 

Ensinava com amor tudo que sabia… e amava cuidar, ajudar e servir.

Passou pela vida fazendo o bem e doando amor.

Na eternidade brilha como uma estrela. E cintilando segue encantada, mas muito viva no coração dos que por ela foi tocado. 

Assim foi Lúcia Helena Mendonça Coutinho, minha doce e querida tia Lucinha.

sábado, 18 de setembro de 2021

SIMPLICIDADE


Nas coisas simples me encontro… e por elas me encanto… 

Contemplar a natureza, sentar na calçada, festejar a vida com familiares e amigos… comer caranguejo na beira da praia… partilhar o amor e o pão… não tem riqueza maior… 

Ao vislumbrar o belo na simplicidade, o brilho no lusco-fusco das brenhas, entendo que não preciso de tanto para ficar bem e ser feliz. 

E aí compreendo porque o sofisticado me afasta de mim… o luxo me causa repulsa e me deixa desconfortável. Claro que o dourado as vezes me atrai, mas a nobreza do ouro me assusta… talvez porque a poucos ela é permitida.

Em tempos difíceis, a cada dia mais, percebo que são as coisas simples que enfeitam e enriquecem a minha vida…  são elas que tornam os momentos bonitos, inesquecíveis e eternos… e são as suas lembranças que alegram para sempre os meus dias. 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

CULTURA DO DESCARTÁVEL

 

A vida é feita de fases.

Como uma onda vamos seguindo, de acordo com o vento… sempre em movimento.

As prioridades que nos movem hoje, não são as mesmas que nos moviam ontem nem antes de ontem. Muitos são motivados a deixar pra trás o que outrora imaginavam importante. 

Na modernidade, onde quase tudo é volátil e superficial até as relações são passageiras. O grau da conveniência é o que dosa o tamanho da sua importância.

A sensação de bem estar causada pela cintilância do novo, pelo frescor do moderno, ofusca a forma de se enxergar o mundo. Hoje, a experiencia é vista como arcaica… a vivência como caduca… e a história de vida, simplesmente apagada.

O mundo gira e nós também giramos.

Desejo que um dia possamos voltar as nossas raizes… e encontrar de volta o permanente… o duradouro… o até sempre…   Quem sabe assim possamos encontrar alento para os sofrimentos gerados pela cultura do descartável que desconsidera, rejeita e despreza a sabedoria dos anos.

sábado, 11 de setembro de 2021

ATÉ QUANDO, MEU DEUS?

Toda vida é dom precioso de Deus.

Todos, independente da condição, fomos criados à Sua imagem e semelhança.

A alguns é dada a oportunidade de serem gerados no amor e aconchego de um lar onde recebem cuidados para um bom desenvolvimento físico, moral, espiritual e psicológico. A outros a vida lhes nega até o que existe de mais básico… atenção, alimento, aconchego e abrigo. 

Criados ao “deus dará”, sobrevivendo de teimosos, foi-lhes ensinado a viver das sobras, dos restos e dos sobejos. Sempre à margem, peregrinam num mundo feio, sujo e pobre. Carregam o destino da exclusão.

Apesar de viverem em mundos distintos eles não deixam de enxergar nos que estão acima, o espelho do que gostariam de ser e de ter… 

Muitos conseguem viver no conformismo do "pobre Lazaro" até o fim. Mas outros rompendo a norma imposta pelos que os dominam, eclodem em forma de revolta… e ai tomam o celular, o carro, o dinheiro, a roupa, o tênis, a vida…

E aos montes enchem as cadeias... e como lixo tem o destino "merecido".

Até quando, meu Deus???

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

GUIOMAR E AVANY - GUIANY


Diz a Palavra de Deus que como você, fui sonhada por Ele pra ser quem sou, antes mesmo de ser formada no seio de minha mãe...

Mas eu também tive a graça de ser sonhada por aqueles que me geraram. Antes mesmo de minha existência já me chamavam Guiany... homenageando suas mães.


Vovó Guiomar (Mendonça Coutinho) era carioca. Mulher corajosa, forte e sociável, deixou terra, cultura e família de origem, pra se embrenhar em Roma com o seu "Coutinho" onde viveu o sonho de esposa, mãe e mulher ativa, preocupada com os problemas que atingiam sobretudo os pobres. Em sua casa acolheu tanta gente... gente que vinha pra estudar, pra trabalhar, pra cuidar de enfermidades... Também acolhia os rapazes e moças amigos de seus filhos para os famosos “assustados”... Ela era alegre, acolhedora e muito festeira. 


Já vovó Avany (Lins Campos) era meiga, tímida e extremamente servidora. Vinda dos Lins da várzea do Paraíba, gostava de contar e recordar  as histórias dos engenhos que marcaram sua infância e juventude. Era uma mulher do lar e da família. Gostava muito de costurar roupinhas para os netos… e que vestidinhos lindos me fazia… e amava cuidar de seu José. Gostava também de futebol, de fazer crochê, de enxugar a louça e de ficar junto de bebê, que nunca faltava na família. Rezadeira assídua, era minha companheira nas missas, reuniões e atividades da Igreja.


Gui-any! 

Trago no nome, sangue  e personalidade traços das duas e isso me enche de orgulho. Mas isso não me tira a grande responsabilidade de representa-las.

Suas lembranças continuarão eternamente impregnadas na minha alma e no meu coração.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

SANTA FÉ


Solo sagrado, brisa suave, recanto de paz, casa do amor e do pão…

O lugar inspira à oração, motiva à solidariedade, impulsiona à caridade e ilumina à missão.


Quem que por lá passa e conhece sua história… ibiapina-se. Torna-se beato, devoto e seguidor do Padre Mestre ali plantado desde 1883.


Santa Fé… casa de acolhida da religiosidade popular… da devoção ao santo do povo… da romaria de fé em busca do sagrado.


Santa Fé… fonte de inspiração!!!

Ibiapine-se!!!

terça-feira, 7 de setembro de 2021

7 DE SETEMBRO

Hoje a data ativou a minha memória afetiva e voltei no tempo… 

Chego a lembrar o cheiro do café reforçado e apressado ao som da alvorada.

Marchando na cadência da banda marcial, atravessávamos as ruas de Bananeiras, ladeira acima, pra nos organizar no largo da matriz. 

A descida triunfante, sob os aplausos da grande plateia que se espremia nas calçadas, fazia o meu pequeno coração palpitar mais forte. Era uma grande emoção ouvir o ritmo da marcha perfeita e tão ensaiada no frio agosto, pelas ruas da cidade.

Jogos, apresentações nos grêmios estudantis, teatros, músicas, festa no clube, desfile… animavam a “Semana da Pátria” e hoje me rendem muitas recordações.

Não lembro da expressão patriota de amor ao país, apesar da disciplina Educação, Moral e Cívica, incluída no currículo pelos governos militares, para mostrar um Brasil bonito, ordeiro e justo.

O colorido das fardas, as bandeiras tremulando, a cadencia dos desfiles me chegavam como uma grande festa popular e estudantil.


E com o tempo me foi sendo desvendadas as atrocidades da ditadura que na época acontecia e a dureza dos governos da era de chumbo. Me era apresentado um país real, injusto e desigual. Um país violento sobretudo com os pobres, pretos e povos originários. Um país que precisava de minha indignação e mais ainda da minha ação, como gota d’água no oceano, para mudar sua história.


E hoje estou aqui…

Me chamam de esquerdopata, comunista, socialista, radical, vermelha, petista, defenssora de bandido… mas sigo meu caminho… sempre na contramão da história e sempre do lado dos pobres. 


O encontro com um “prisioneiro, condenado e morto” que defendia “vida para todos”, me leva hoje a gritar, juntos a meus irmãos no Grito dos Excluidos: Vida em primeiro lugar!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

COMO ANIMAIS



Vi menininhas sendo usadas como animais

Sem ter amor, sem ter calor, sem mais fulgor

E com pavor, sacia o furor do agressor

Desamparadas, abandonadas, como animais.

 

Vi mães-meninas parindo filhos como animais

Sem ter amigo, sem ter abrigo, sem ter marido

Por ter sofrido, e perecido, filho esquecido

Desamparadas, abandonadas como animais.

 

Vi criancinhas, sendo jogadas como animais

Sem ter um lar, sem ter lugar pra descansar

Sem um olhar, pra cativar e animar

Desamparadas, abandonadas como animais.

domingo, 5 de setembro de 2021

VIDA SURPREENDENTE


A vida é surpreendente…

Ela nos apresenta e nos coloca diante de situações nunca pensadas... nunca imaginadas... nunca esperadas… e nunca desejadas.

Aí vem um dia uma revelação regada a choro e muita emoção no meio da madrugada... e de repente uma apresentação inesperada…

O susto só não foi maior porque o comportamento durante o desenvolvimento…  já ia revelando alguns sinais… e o que era impressão e receio, nesses dias para mim se tornou real.

Todos temos um pouco de incompreensão. Os conceitos religiosos, culturais e antropológicos incutiu no nosso imaginário como algo errado… 

Além de tudo o medo e a preocupação com a intolerância e a violência vindo dos que se sentem politicamente corretos…

Observar de fora as preferências de quem escolhe amar uma pessoa do mesmo gênero e está fora do círculo familiar leva você a imaginar sofrimentos. Mas quando a história acontece dentro de casa, depois do primeiro impacto o amor envolvido vai fazendo você minimizar os preconceitos.

Mas ainda é tudo muito novo pra mim…

Sei que vou levar um tempinho pra encarar tudo com normalidade… naturalidade… 

Ainda preciso de um sonoro Efata do Mestre que me abra coração e sentidos… que me oriente e me faça entender e conduzir com sabedoria esta novidade em nossas vidas.

Quem sabe um dia eu possa ajudar outras pessoas a vivenciar com leveza e amor o surpreendente que chega.

sábado, 4 de setembro de 2021

O EXEMPLO DA ROSA



As vezes preciso chorar para viver,

As vezes sorrir é o melhor para sobreviver,

As emoções eu não consigo esconder,

Brotam do íntimo, como o sol ao amanhecer.

 

As lágrimas lavam a minh’alma sofrida,

O sorriso alegra os bons momentos da vida,

Dando sentido a esta vida comprida,

Simbolizando a emoção já vivida.

 

A rosa é um símbolo que me faz meditar,

Beleza e cheiro, tem para nos alegrar,

Mas tem espinhos, que é pra nós ensinar,

Que dor e prazer acompanham o caminhar.